Título: Os Novos Moradores
Autor: Francisco Azevedo
Ano: 2017       
Editora: Record
Número de páginas: 420
Skoob: Adicione

Cortesia: Livro cedido em parceria com Grupo Editorial Record

Sinopse:Neste novo romance, Francisco Azevedo retoma o tema da família, que o consagrou no best-seller O Arroz de Palma O autor investe e se aprofunda no caráter intrínseco e universal das células familiares, que podem ser a de qualquer um – e aqui são duas, famílias vizinhas, morando em casas geminadas. O que se vive – e se supera – dentro delas é das mais belas e comoventes exposições da intimidade do ser humano e de um de seus pilares tão fundamentais quanto indesejados: os arquivos secretos, tramas que levam as pessoas, homem e mulher, pais e filhos, à opção pelo silêncio sob um mesmo teto. Espécie de romance de geração, cheio de grandes personagens, Os novos moradores trata da convivência e da compreensão do diverso por meio da escolha radical pelo diálogo e pela reflexão. Só assim a tragédia familiar dá lugar ao entendimento, e o amor entre indivíduos permite o desfecho ansiado: o do perdão.


A história começa em 1985, com a venda de uma das casas geminadas da Rua dos Oitis, no Rio de Janeiro, um fato que poderia ser apenas mais um acordo imobiliário, mas que mexe muito com um de nossos protagonistas, por toda a vivência que teve lá. Para Cosme aquele era muito mais que um mero imóvel idêntico ao seu, ali haviam memórias que apenas ele e seu antigo e proibido amor compartilhavam. Com sua amada vivendo na França, a curta comunicação entre eles e a reforma na casa que, em breve, abrigaria novos donos, Cosme só quer um tempo sozinho, aproveitando o que sobrou de suas doces lembranças, e de preferência, utilizando a chave reserva que tem da casa vizinha para matar a saudade do quarto que foi seu confidente por meses. Ótima ideia, péssima maneira de conhecer os novos moradores.

“Penso na história das casas geminadas da rua dos Oitis e em seus humanos caracóis. Penso no que esconderam aquelas paredes, no que se passou por trás daquelas portas. Penso na chegada dos novos moradores”.

A trama se desenrola a partir da chegada dos novos donos do imóvel. Em uma das casas geminadas, temos a família de Cosme, composta por ele, a irmã Damiana e os pais Zenóbio e Carlota. Vizinhos de parede, há mais uma família, com pouca diferença de idade dos primeiros, sendo os filhos Estevão e Amanda e os pais, Pedro e Inês. O livro se resume, basicamente a esses quatro personagens, com algum enfoque nos coadjuvantes. Consegui me apegar a alguns deles, e era interessante ver os rumos que tomavam, já que o livro não é apenas de uma pequena parte de suas vidas, mas delas praticamente inteiras.

O plot do livro não é leve, e assim que tive indícios do que estava acontecendo, em um primeiro momento fiquei chocada, afinal não é um assunto convencional, no entanto, Francisco Azevedo soube levar de uma forma que me fez repensar algumas coisas, e até questionar a sociedade. Todo o enredo é tecido com base na família e as relações dentro dela, em maior e menor grau, com ou sem desentendimentos. Algumas dessas relações me tocaram bastante, e acompanhar seus desfechos foi ótimo, pois embora eu goste de finais abertos, achei que coube muito bem que, nessa história, fossem fielmente fechados pelo autor.

“Meio da noite, meio de mim. Alguém chega e me fala: somos os misteriosos seres ditos humanos – porque inventamos a palavra para assim nos batizar: humanos. Bichos assustados, temos o mau hábito de nos trancar em nossas casas, e por medo maior, o estranho dom de nos esconder no próprio corpo ainda que estejamos nus”.

Gostei da forma como Francisco fez essa distribuição e teceu o enredo. Sua escrita fluiu bem em alguns momentos, já em outros era mais parado. Um ponto interessante, é que se fez realmente visível o fato de que o autor é também dramaturgo, é possível enxergar elementos disso na narrativa. O que me incomodou e que talvez se fosse diferente, me cativaria mais, foi o fato de que em determinado momento, senti que tinha acesso a uma novela onde o criador quisesse inserir muitas e muitas revelações, mas que apenas algumas delas fossem relevantes de fato para a trama. Fora isso, tenho interesse em ler outras obras do autor, para conhecer mais do seu trabalho. Os novos moradores é um livro adulto, não tão voltado para o público jovem, e o recomendaria se você gosta de livros sem tanta ação, mas com grande enfoque nas relações que os personagens travam entre si.








11 Comentários

  1. Não sou de ler esse tipo de livro, mas me interessei bastante e gostei da sua resenha S2

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  2. Olá!
    Sua resenha me instigou bastante a saber qual é a temática desse livro, mas já gostei também por trazer uma narrativa focada em convívio familiar, adoro histórias assim!!
    Dica anotada!! =)

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  3. Aline, não conhecia o livro, mas fiquei bem interessada em saber o que são esses indícios e o que narra de fato sobre esses personagens, parece ser uma história muito boa.

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  4. Olá!
    Apesar de ter temas bem interessantes para reflexão e debates, não me senti atraída para colocar na minha lista de próximas leituras. Tenho evitado leituras com narrativas densas e que demoram a fluir.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  5. Oi Aline!
    Eu não conheço o autor e fiquei bem instigada a ler o livro, tanto que vou procurar se tem na Amazon em e-book.
    Parece ser um livro com uma pegada reflexiva bem bacana, não quero perder!
    Bjs

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  6. Não conhecia o livro e nem o autor, mas acho que não ia gostar muito deste lance de inserir fatos que seriam totalmente descartáveis.
    Bjs, Rose

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  7. Oi Aline! Como você falou que indica o livro para leitores que gostam de livros sem tanta ação eu não sei se curtiria muito a leitura, ja que sou amante de thriller e suspenses hahahah Preciso que o livro me prenda de alguma forma, fico logo irritada se ele for muito lento ou cansativo..
    Beijos

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  8. Aline que livro magnífico, eu realmente preciso muito os livros que transmitem a paz e a calmaria, muita ação me estressa e muito, dica anotada e essa capa está amável, só imagino como deve ser em físico.
    Beijinhos

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  9. Oi, Aline! Achei muito interessante a premissa desse livro. Ele parece ser muito mais voltado para o introspectivo, então talvez seja melhor ler depois de uma bela aventura cheia de cenas mirabolantes. rsrs
    Bjos!
    Por essas páginas

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  10. Essa parece ser uma leitura um pouco mais complexa, com uma pegada mais introspectiva... Não acredito que seja o meu momento para ler, mas vou deixar a dica anotada.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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  11. Ele é nitidamente um livro bem reflexixo, e essas inconstância no ritmo da narrativa me atrapalha um pouco nas leituras. Vou deixar passar.
    www.belapsicose.com

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