Título :  The Babadook
Ano:  2014
Direção: Jennifer Kent
Duração:  1h34min
Gênero: Terror, drama, suspense
Elenco: Essie Daves, Noah Wiseman...
Nacionalidade: Austrália
Assistido  : Netflix

Sinopse: Seis anos já se passaram desde a morte de seu marido, mas Amelia (Essie Davis) ainda não superou a trágica perda. Ela tem um filho pequeno, o rebelde Samuel (Noah Wiseman), e tem dificuldades para amá-lo. O garoto sonha diariamente com um monstro terrível e ao encontrar um livro chamado "The Babadok" reconhece imediatamente seu pesadelo. Certo de que Babadok deseja matá-lo, o menino começa a agir irracionalmente, para desespero de Amélia.


Olá, vamos falar de filme bom?

 Hoje passeando pela netflix achei o filme The Babadook, um terror australiano muito bom. Nesta história iremos conhecer Amelia e seu filho Samuel de seis anos. Amelia é uma mulher triste e vazia desde a morte de seu marido, que faleceu em um acidente de carro quando a estava levando ao hospital para ter Samuel.

“Não quero que nada de ruim te aconteça, mamãe”

 Passam-se quase sete anos, mas Amelia ainda não superou a perda, fica visível no seu modo de viver. E para completar o Samuel tem problemas de comportamento e sempre arranja complicações na escola e na casa de sua tia Claire, que demonstra não gostar muito dele.  Samuel é um menino difícil, incompreendido e que tem medo de monstros. E quando sua mãe conta a história de um livro misterioso que aparece em sua casa de titulo “Mister Babadook” as coisas só pioram, pois Samuel insiste que Babadook está na casa, e que a mãe corre perigo. Com o tempo Amelia também começa a ver coisas. E fica a dúvida, existe um monstro ou é imaginação de Amelia e Samuel. Mas as coisas que acontece na casa são bem sinistras, deixando um clima de tensão perturbador.


Gostei muito do filme, um terror psicológico de qualidade e cheio de cenas perturbadoras e inteligentes. Várias cenas que te fazem pensar e tentar descobrir o que está acontecendo afinal, que monstro é esse, e porque os persegue. A fotografia do filme também é muito boa, as cenas se passam mais na casa, que é sombria e triste. O filme não possuem aqueles barulhos exagerados, e sim uma trilha sonora suave, que chega nos melhores momentos criando todo uma ambientação de horror, deixando todo o resto para os divinos atores, que sabem conduzir a trama com maestria.

“Por que as pessoas não gostam de mim? Ruby disse que as pessoas não gostam de mim porque sou estranho.”

Os atores deram um show de interpretação, tanto Amelia (Essie), quanto Samuel( Noah), e claro o monstro, quando aparece gritando "Ba BA dook dook dook", arrepia é tudo. Haha (Que voz é aquela? Pra lá). Uma trama envolvente que traz muito mais que uma história de monstros. Em sua nuances aborda vários problemas sérios. E te deixa aberto a interpretações. Agora farei alguns comentários com spoilers. Se você ainda não viu o filme, pare por aqui, ou não. :)


-------------------------------------Alerta Spoiler---------------------------------------


The Babadook vai muito além de apenas um filme de fantasmas, traz assuntos graves, como a depressão, sim, é um filme de monstros. Mas existe monstro mais horrível e cruel que a depressão? Sim, deve existir. Mas aqui o foco é nele. Fica claro em várias cenas que Amelia tem depressão e ainda não superou a morte do marido, tendo às vezes uma relação vazia com seu filho Samuel, que também mostra ter problemas. Na verdade é uma família problemática, onde o mal parece está em Amelia. Quando Amelia deixa Babadook entrar, percebemos como ela coloca toda sua agressividade para fora, assim como o desejo de matar o filho, vemos sua luta contra este desejo. Confesso que fiquei bem assustada quando ela viu no livro Babadook matando o cachorro e Samuel.


“Quanto mais me evitar, mais forte vou ficar. Deixe-me entrar. 


Vamos acompanhando uma luta interna entre ela e Babadook, entre Amelia Mãe e seu lado doente. O interessante notar que o Samuel percebeu desde cedo que tinha algo errado, e ele sempre diz que irá proteger a mãe. 


Mas depois que Amelia pira na batatinha perdendo completamente a razão, só basta o amor de Samuel resgatar o amor de Amelia que está escondido nas profundezas desta maré de sentimentos e conflitos. E é lindo quando isto acontece, Samuel que se mostrava o problemático no inicio, acabou salvando a mãe como prometera.  Uma cena interessante foi quando ela enfrentou Babadook e viu seu rosto, e nós ficamos naquela curiosidade para saber o que ela olhou, pra mim ela viu seu próprio rosto no monstro, e decide prende-lo no porão, e alimentá-lo, achei isso muito perigoso, pois quer dizer que a qualquer hora ele pode se libertar. Se fossemos trazer o caso de Amelia para nossa realidade, o que ela precisaria urgente era de um acompanhamento médico, para conseguir eliminar de vez este monstro. Mas com certeza a personagem foi muito forte ao enfrentar o mal. Percebemos logo uma mudança na mesma, ela consegue encarar o filho de outra forma e já consegue ouvir falar do marido sem se sentir tão mal e agressiva. E foi muito lindo o Samuel ter o direito de comemorar seu aniversário no dia certo. Pois até isto lhe foi tirado por Amelia e seu luto eterno, pelo fato do pai ter falecido neste dia.  Então ficam as minhas considerações sobre este filme, que podemos interpretar por este lado, ou apenas como uma família que é assombrada por um monstro qualquer chamado Babadook. Mas no final, sempre há um monstro. Agora é saber como lutar contra ele. Amelia e Samuel já venceram uma batalha. E espero que outras pessoas também consigam.


“Você começa mudar quando eu entro. O babadook crescendo sob sua pele.”


Simplesmente maravilhoso, adoro filmes que nos abre a mente para várias interpretações, confesso que no inicio quase associo com o filme “Os Outros”, mas fui percebendo que ia para outro caminho. Que o Babadook poderia ser a depressão, a própria Amalie. E as palavras de Samuel são muito emocionantes antes de a sua mãe tentar estrangulá-lo. Mas fica o aviso do Samuel, “Você não pode se livrar do Babadook”. É difícil se livrar do medo e da dor. Ainda mais quando você tem que lutar contra si mesmo.
Super recomendado.


“A vida não é sempre o que parece. Ela pode ser maravilhosa! Mas também pode ser traiçoeira.”









20 Comentários

  1. Ai, eu adoro teu blog, Ana! Você tem um ótimo gosto e temos muita coisa em comum (amor por Donnie Darko, por exemplo ashuaua)
    Eu adoro quando vejo alguém falando de filmes (livros, séries...) que eu amo!!
    Principalmente quando a pessoa entende o filme, porque o que tem de gente que ficou boiando com essa história e que não sacou a metáfora, não foi pouco HAHAHAHA.
    As atuações são excelentes mesmo, o pivete mandou muito bem.
    Se você curtiu esse, vai gostar de Goodnight Mommy, é muuuuuuuito bom (pelo menos eu gostei ashuashuah)
    Beijos!

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    1. Já vi e curti também, mas The Babadook é ainda meu favorito. Haha <3

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  2. Oi Ana,
    Cara, se meu pc não tivesse com a caixa de som danificada, iria assistir este filme agora mesmo.Que história sedutora.
    Quero muito assistir!

    www.isaaczedecc.blogspot.com

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  3. Eu amo terror, e já me indicaram várias vezes esse filme. Mas acredita que ainda não vi??? Preciso resolver isso com urgência, ainda mais agora vendo sua opinião sobre ele. Continue fazendo resenhas de filmes ou séries, eu adorei a dica.

    ;D
    Profissão: Leitora

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    1. Vejaaa. Acho que você irá curtir. Traz uma abordagem bacana, e o suspense é muito bom.

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  4. Oiii Ana, tudo bem?
    Eu amo filmes de terror, são sempre os meus favoritos e com certeza este vai para a minha futura listinha de filmes para assistir de noite hahahahah no escuro! Amei a indicação.
    Beijão

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    1. No escuro? Menina de coragem. Haha

      Ba ba dook dook dook!!!

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    2. No escuro? Menina de coragem. Haha

      Ba ba dook dook dook!!!

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  5. Olá Ana!
    Eu assisti esse filme no netflix ano passado. E o achei muito interessante também, no início não dava nada para ele mas depois a história foi se formando e o final foi fantástico. Também passou pela minha cabeça que a mãe se viu no monstro no final e por isso que resolver prende-lo no porão e alimentá-lo. Realmente é mais um suspense psicológico do que um terror em si.

    Beijos
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

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    1. Gostei muito deste filme, por ele tratar de algo tão grave, dando como monstro. E bem assustador. E se pararmos para pensar, é assustador mesmo. Pois nos leva a cometer atos insanos.

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  6. Olá, eu ainda não conhecia o filme mas depois de ler seu post todo, fiquei com muita vontade de ler ele, por mostrar essa relação complicada entre essa mãe e esse filho, por falar de depressão, e ainda assim trazer o garotinho que, apesar de tudo, não desiste de sua mãe.

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    1. Sim, acaba sendo lindo. <3 E cheio de lições.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Não conhecia o filme, ontem, depois que vi minha série favorita, todos os episódios, fiquei vagando pela netflix e não achei nada para assistir. Gostei de sua dica, acho que verei hoje a noite.

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  8. Oie! Gente, que filme maravilhoso! Eu geralmente passo longe de filmes de terror, pois os que vejo divulgações sempre são sobre coisas bizarras e forçadas que acabam mais parecendo uma paródia fajuta do que um terror. No entanto sua resenha me deixou verdadeiramente curiosa acerca desse filme, pois vi que se trata de uma história que quase pode ser considerada verdadeira. Tive amigos que já passaram pela depressão e é mesmo um monstro horrível que, se tiver poder e influência, pode acabar com a vida de uma pessoa. Adorei saber sobre as reflexões e ensinamentos que o filme transmite e quero demais conhecer a importância de Samuel na vida da mãe dele.

    Beijos,
    Fernanda F. Goulart,
    Império Imaginário.

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  9. Nossa, Ana, que resenha maravilhosa! *-*
    Eu já ouvi falar do filme, mas não me interessei, em especial por causa do gênero. Achei muito inteligente que haja esse fio entre o babadock e a depressão que a Amélia sente/tem. Eu estava lendo, hoje, um texto sobre o formalismo cinematográfico, por Kracauer, e o estilo do filme me lembrou demais uma passagem: que a fotografia (que é a essência do cinema) é uma forma de exprimir a realidade, mas de forma não-real. Ou seja, a forma pode ser, sim, metafórica/implícita, como o Babadock se utiliza para falar da depressão.
    Confesso que, depois da sua resenha, fiquei com M-U-I-T-A vontade de conferir o filme! Gosto do implícito, de um enredo aparentemente comum, mas que se prova inteligente e profundo - com significado :)

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  10. Adoro filmes de terror e suspense psicológico e esse parece ser sensacional! Fiquei curiosíssima e já coloquei na listinha dos próximos que irei ver :D Gostei muito do seu post! E obrigada por avisar dos spoilers hahaha.
    Beijos! <3

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  11. oi, tudo bem?
    que bom que o filme te agradou. O Netflix tem um catálogo bem legal, e sempre tem algum filme desconhecido que nos agrada. Apesar dos elogios, eu acho que não veria. Não curto muito terror, e tenho evitado o gênero
    beijos
    http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/

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